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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Em busca da experiência perfeita

O engraçado em refletir sobre música eletrônica é que, ela é um tipo de música que não pede do seu ouvinte que reflita sobre ela. A música eletrônica é feita para fazer sentir, e não pensar. É um estilo musical de sensações, onde as misturas e batidas tem o propósito de criar uma experiência, sendo o grande desafio dos Djs de música eletrônica criar experiências novas, e sempre diferentes daquilo que outros, e eles mesmos, já fizeram.


Esse desafio de criar novas experiências vem acompanhado de um desejo de experimentação e inovação contínuo. A habilidade de transformar sons que, aparentemente, nunca seriam imaginados dentro de uma música, como o som do acelerador de um carro ou de uma máquina de lavar roupa, nasce da filosofia presente dentro do meio eletrônico de buscar atingir uma liberdade musical através do uso de tecnologias. E, não se detendo somente aos efeitos sonoros, a música eletrônica também se propõe a experimentar dentro do campo visual, tudo em busca da inovação dentro do campo das sensações. Misturar, sintetizar, mixar e remixar são termos e ações do dia-a-dia de um DJ, que vê toda tecnologia como uma tecnologia em potencial, e todo som presente no ambiente como um pedaço de música em potencial.


A experimentação pode ser a palavra de ordem dentro do meio eletrônico, porém, outro ingrediente vital para a produção de uma música eletrônica é a diversão. É necessário possuir um desprendimento infantil dos conceitos e costumes para ficar aberto à novas combinações e novas maneiras de ouvir um mesmo som. Como uma criança numa caixa de areia, que molda a areia de várias formas diferentes, o DJ usa a tecnologia para moldar uma música. E, essa diversão se completa com a preocupação com o momento instantâneo da reprodução da música. Essa preocupação é fazer com que o momento em que a música for tocada, ela envolva o ouvinte, que não é passivo à essa música, mas que se joga e se imerge dentro dela. E, a partir daí se transforma em uma experiência.

E, para não ficar só na teoria, deixo aqui um exemplo de combinação em experimentação, diversão e inovação que só uma música eletrônica têm!



Por: Carolina Câmara

domingo, 24 de maio de 2009

Damo Suzuki no Rio

Já divulguei este evento em sala, mas posto o release para lembrá-los. Amanhã, no Oi Casa Grnade, 19 horas

"A ESPM-RJ, através do PANMEDIA LAB - Laboratório da ESPM de Pesquisas e Análises em Mídias, Entretenimento, Design e Intervenções Artísticas, e o Globo Universidade, com o apoio cultural dos programas de pós graduação em comunicação da UERJ, da UFF, da UFRJ, da PUC-Rio e do CAEPM, realizam nesta segunda-feira, dia 25 de maio, a 3ª edição do ciclo de debates do Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea(CECC).

O tema deste mês é "Entretenimento e Audibilidades Contemporâneas" e terá como convidado especial o músico Damo Suzuki, ex-vocalista da banda alemã Can, trazido ao Rio de Janeiro em parceria com a Plano B ( http://planob.net/ ) A proposta básica deste encontro é - através de um diálogo entre Simone Pereira de Sá (antropóloga e professora do PPGC-UFF), o músico Jean-Pierre Caron, o jornalista Arthur Dapieve e o músico Damo Suzuki - pensar a transformação das audibilidades contemporâneas.

Esta transformação pode ser apreendida através dos novos suportes de escuta musical (como os mp3 e os celulares), de novos códigos sonoros como aqueles trazidos pelos gadgets e games, de movimentos culturais como a noise music e o circuit bending, de novas práticas de entretenimento como as salas de cinema multiplex e seus sistemas imersivos de distribuição de sons, de novas linguagens publicitárias, como aquelas que propõem o desenvolvimento de logos sonoras etc.

De uma maneira geral, iremos explorar o cenário sonoro contemporâneo a partir, fundamentalmente, das práticas correntes de entretenimento. A idéia é tentar lançar um pouco de luz sobre como asaudibilidades se transformam hoje, inaugurando novos códigos sonoros que, por fim, afetam as práticas de comunicação e a própria cultura contemporânea.

Ao final do debate o músico Damo Suzuki realizará uma performance apresentando o seu conceito de instant composing, junto com os seus sound carriers (ver texto sinopse sobre o músico, abaixo) que utilizarão instrumentos musicais e gadgets variados (celulares, brinquedos eletrônicos, games etc), para acompanhar o músico.

DATA:Dia 25 de abril, segunda-feira;HORÁRIO: 19h.LOCAL: Teatro Oi Casa Grande: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon. Rio de Janeiro.Entrada franca - Inscrições no site www.espm.br. Mais informações pelo telefone (21) 3523-2323

O Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea (CECC) tem como objetivo promover a reflexão sobre o entretenimento, suas relações com diferentes áreas - arte, educação, política, religião, filosofia, indústrias criativas e publicidade - e ainda mostrar como o entretenimento hoje pode ser considerado uma linguagem. Os debates acontecem mensalmente (nas últimas segundas-feiras de cada mês) e são abertos ao público, sempre com entrada franca.Concepção e
Coordenação: Vinicius Andrade Pereira (PPGC-UERJ e ESPM-RJ)Contatos: vinianp@yahoo.com // http://twitter.com/vinianp

Damo Suzuki, músico, artista e inovador cultural, é hoje uma lenda viva da vanguarda mundial. Como vocalista da seminal banda alemã Can no começo dos anos 70, participou de alguns dos discos mais revolucionarios e influentes da época, como Tago Mago(1971) e Future Days(1973). Formado em 1968 por músicos já maduros e com formação e influências bastante diversas (música clássica, eletroacústica, free jazz, música étnica, etc) o Can foi um dos mais respeitados expoentes do chamado Krautrock, sendo considerado, ao lado de nomes como Neu e Kraftwerk, como um dos grupos que mais influenciaram a música pop do final do século XX. Com uma mistura extremamente singular de rock, minimalismo, eletrônica, jazz, música tribal e improviso, criaram uma nova linguagem simultaneamente particular e indeterminada, uma espécie de música primitiva do futuro, ou um coringa étnico, sem delimitações espaço-temporais. È desta época que vem o conceito deInstant Composing - composição instantânea - que Damo Suzuki utiliza ainda hoje. Desde o inicio dos anos 90, Suzuki desenvolve seu projeto Damo Suzuki´s Network: em uma tournée infinita pelo planeta , improvisando com músicos dos locais onde se apresenta, Suzuki está constatemente desenvolvendo uma rede mundial de "sound carriers", portadores - ou mensageiros - sonoros, estabelecendo pontes artísticas entre os vários locais de apresentação. Não se interessando pelo processo de gravações em estúdio, Suzuki acredita que o improviso, a energia trocada, a interação entre diferentes músicos e a audiência em determinado momento e lugar são os ingredientes verdadeiros para uma criação autêntica, num processo análogo à própria natureza, em que equilibrio e harmonia são constantemente buscados e reinventados em um movimento contínuo, que é a própria essência da composição instantânea. Pela primeira vez no Rio deJaneiro, ele estará também se apresentando no Brasil em São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Goiânia, além de Chile e Argentina, sempre acompanhado de músicos locais.(texto de Fernando Torres, da Plano B
http://planob.net/ )

Links:http://www.damosuzuki.de/http://en.wikipedia.org/wiki/Damo_Suzuki
Entrevistas:http://www.spikemagazine.com/0205damosuzuki.phphttp://www.aural-innovations.com/issues/issue20/damo03.htmlhttp://www.hour.ca/music/music.aspx?iIDArticle=10007