quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

4 1/2 falácias sobre som no cinema refutadas com Star Wars. Por Jesiel Araujo


As quatro e meia falácias apresentadas por Rick Altman, e refutadas por ele, no livro "Sound Theory Sound Practice" podem ser rebatidas também com Star Wars.
Falácia 1-Histórica> O cinema já era cinema antes do som, e o som não é importante para a composição do cinema.
Vemos Star Wars e podemos facilmente desmontar esse argumento, afinal a experiência que temos com esta maravilhosa obra tem o som como importantíssimo componente em sua formação. Não seria a mesma coisa ver este filme sem as explosões catastróficas em pleno espaço sideral (onde teóricamente não deveria existir som algum) ou sem os sons característicos de cada personagem que ganham uma vivacidade diferente através desses sons caricatos.

Falácia 2-Ontológica> O cinema sem som continua sendo cinema, o som sem imagem não é cinema, o cinema em sua natureza é imagem portanto o som não tem grande importância para a experiência cinematográfica.
Podemos a partir dessa afirmação associar estrutura e ontologia, Star Wars cria seu prórprio caráter ontológico através de uma estrutura de sons de efeito, trilhas e imagens que lhe caracterizaram. Vemos novamente a grande importância do som para o cinema.

Falácia 3-Representativa> O som do cinema é fiel ao som real que foi captado no ato da gravação.
Muitos sons em Star wars foram na verdade criados e não existem em si mesmos, mas são fruto de uma construção. Sons como a voz de Darth Vader e de R2D2 são exemplos muito bons para mostrar essa criação de sons inexistentes que passam a existir e ter identidade própria graças ao filme.

Falácia 4-Nominalista> Cada som tem sua particularidade de gravação e reprodução, cada pessoa ouve um som diferente da outra dependendo de onde estiver dentro do cinema e sua experiência é diferente.
É verdade que cada um tem sua experiência própria a partir de variadas condições de gravação e local de reprodução bem como o sistema em que o filme é reproduzido entre outros fatores. Porém existe também uma identidade comum do som. Qualquer um reconhece o som de um sabre de luz independente se é reproduzido numa sala de cinema ou na sala da sua casa.

Falácia4 1/2-Indexicalidade> O som traz consigo um rastro do que ele realmente é dando a ele realismo e autenticidade.
Muitos sons feitos para Star Wars não tem nada do som original, pelo contrário, muitas vezes a ideia é misturar sons para dar vida a um novo sumindo completamente com os rastros originais. Ben Burtt o designer sonoro de Star Wars usou sons misturados de várias formas. O som da voz do personagem Chewbacca por exemplo vem da combinação do som de vários animais.




Trabalho Completo!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A trilha sonora dos Desfiles de Moda


Após assistir um vídeo, no Youtube, do desfile da coleção primavera/verão 2010 da marca francesa Chanel, decidi que usaria os desfiles de moda como meu objeto de análise para o trabalho final de "Oficina de Mídia Sonora". O que me chamou a atenção no desfile da marca foi o fato da trilha sonora ter sido versátil em termos de estilo musical e em termos de como o som foi passado para passarela. O show utilizou tanto músicas gravadas como também houve a apresentação ao vivo da cantora inglesa LiLy Allen. A partir desse ponto me propus a tentar analisar a relação entre a música e as roupas, e a discutir os conceitos de sons originais e cópias nos desfiles.
Dependendo do tema do desfile, a música tem o papel de completar o que se está vendo, ela deve criar uma atmosfera adequada para que aquele mundo faça sentido. O visual e o sonoro caminham juntos. O som, aqui, tem vários propósitos que variam desde o básico para qualquer fashion show, como a pontuação da entrada das modelos, as mudanças de look e o final da apresentação, à propósitos mais subjetivos como servir de inspiração para coleções e criar climas mais adequados aos desfiles.
A utilização de aparelhos para mixagem é comum entre os Djs da área, e as músicas criadas por eles vão ter valores diferentes das músicas cantadas originalmente no show. Pelo menos, nesse ramo há espaço para todo tipo de som ser apropriado.
Está tudo melhor explicado na versão original do trabalho, que agrega mais conteúdo. A construção do som, o filme "Modulations", as salas de exibição e Jonathan Sterne também entram em pauta.
Abaixo estão alguns exemplos que achei que seriam interessantes para vocês ouvirem as roupas e observarem as músicas. Foi isso mesmo que eu quis dizer!
O primeiro é o desfile da Chanel que comentei no começo do texto. O segundo é o desfile da coleção Cruise 2009/2010 da Diana Von Furstenberg que tinha como inspiração o Rio de Janeiro; achei bem legal as escolhas de música dela. O teceiro é um vídeo do Victoria´s secret Fashion Show 2008/2009. Os dois últimos eu postei os links por dificuldades em colocar os vídeos. Ouçam e vejam!





http://www.youtube.com/watch?v=9TZezuDKir4

http://www.youtube.com/watch?v=CjVxHsidETQ&feature=rec-LGOUT-exp_rev-rn-HM

Veja o trabalho completo aqui!

Por José Leonardo Tadaiesky

Já ouvi isso antes

Por Danielle Castro
Baseado nas minhas aulas da disciplina Oficina de Mídias Sonoras escrevi um pequeno texto que sugere um estudo das músicas de abertura de dois seriados americanos: Dexter e Fringe. Faço uma argumentação em cima do que mais me chamou atenção em sala, o fato do som ser algo naturalizado ao mesmo tempo que é uma construção cultural. Para isso tive como base o estudo do autor Jonathan Sterne ( http://sterneworks.org/ ) que abriu literalmente minha visão sobre a o som. Faça uma experiência: escute as duas músicas sem ver as imagens e perceba o que elas transmitem. Sensações e sentimentos sombrios são depertados, além de uma estranha curiosidade que te faz imaginar muito coisa. O detalhe é que sua imaginação é repleta de conhecimentos e opiniões subjetivas que influenciam sua visão no momento de analisar qualquer um dos dois vídeos. Sugiro o desafio.

Texto Completo: "Já ouvi isso antes"

Abertura de Dexter

Abertura de Fringe

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

DJ Hero, além de um jogo




A entrada de DJ Hero no mercado de games, demonstra uma demanda e um aumento do interesse do público geral pela música eletrônica. Mais um marco na caminhada desse estilo musical saindo de um nicho específico, e se fazendo cada vez mais presente no cenário musical global.

Mas, o que é DJ Hero?

Em poucas palavras: É o Guitar Hero dos DJ’s.

Nos mesmos moldes do jogo em que um mortal qualquer pode realizar seu sonho de tocar um solo de guitarra como o de “Free Bird”(da banda Lynyrd Synyrd) sem precisar fazer aulas de guitarra. O DJ Hero apresenta a todos que já tiveram a curiosidade de se imaginar como um DJ de uma festa, a possibilidade de fingir saber como misturar duas músicas em um mash-up sem necessariamente saber alguma coisa sobre mixagem e, mais importante, sem passar vergonha.

Eu particularmente não tive ainda a oportunidade de tentar descobrir se levo algum jeito como DJ, mas, segundo as reviews do DJ Hero pelos sites da Wired e Gizmag, a experiência de jogo do DJ Hero é extremamente fiel ao trabalho real de mixagem de uma faixa de música eletrônica. O cuidado aos detalhes na criação da mesa de DJ “de brinquedo” é tão grande, que o jornalista da Gizmag, Tim Hanlon(que, segundo o próprio, é um DJ amador nas horas vagas) em sua review diz não se surpreender se alguém conseguisse fazer com que o controle do game funcionasse junto de algum software de mixagem.

Isso me fez refletir se DJ Hero seria apenas um novo jogo, ou poderia ser até,talvez, um novo instrumento musical? Quando falei anteriormente no blog sobre música eletrônica, estava comentando o documentário “Modulations”. Uma fala comum entre os DJs entrevistados no documentário era que a música eletrônica se baseava em um desejo contínuo de inovação e experimentação. Um dos entrevistados compara o DJ com uma criança que está sempre achando maneiras diferentes de brincar com um mesmo brinquedo, que no caso do DJ, é o som.

Nesse espírito de inovação contínua, nada mais natural que aceitar o jogo DJ Hero como mais que um mero brinquedo de repetição de faixas pré-definidas, mas também, uma nova forma de experimentação musical. Um modo diferente de apreciação do que dançar ao som de uma música eletrônica em uma festa, mas que é tão válido quanto.



(para outras músicas de DJ Hero, veja o site do jogo ou o youtube oficial)


Postado por: Carolina Câmara


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Música para dançar


Modulations – Cinema para os ouvidos é um documentário de Iara Lee que explora a história da música eletrônica. 
Música eletrônica é toda música que é criada ou modificada através do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos, tais como sintetizadores, gravadores digitais ou computadores. A forma de composição é geralmente intuitiva e pode ser feita inclusive por quem tem pouca experiência musical. 
Por definição, música eletrônica é toda música criada através do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos. A partir da grande popularização da música eletrônica dançante a partir da década de 1980, esta passou a ser considerada para ela e o público em geral como sendo música eletrônica.
A década de 80 e as seguintes foram marcadas pelo surgimento da música eletrônica dançante, ocasionando novas ramificações tais como: Techno, trance, house.
O interessante não só do filme, mas como da música em si é que não adianta você ouvir a música, a intenção dos DJs de música eletrônica é fazer a pessoa sentir a música no corpo, proporcionar sensações diferentes e fazer dançar.
Segundo um DJ, eles não são músicos, mas sim, artistas de colagem. Esta é a relação que os próprios têm com a música que fazem. De acordo com outro DJ do filme a música eletrônica é um reflexo muito direto do ambiente. Afinal, nas palavras deles “Sons estão acontecendo ininterruptamente esteja você produzindo-o ou não.”
O trabalho de um bom DJ precisa ser dinâmico para que seja viável criar diferentes sons. Sintetizadores eram usados para criar sons totalmente novos. 
O estilo sofre críticas. Alguns consideram a arte da música apenas aquela que possa trazer sentimentos de uma forma não sistemática através de instrumentos musicais manipulados fisicamente. Para eles, o processo de manipulação de faixas de música anteriores, envolvendo mixagens, é somente cópia.

Em busca da experiência perfeita

O engraçado em refletir sobre música eletrônica é que, ela é um tipo de música que não pede do seu ouvinte que reflita sobre ela. A música eletrônica é feita para fazer sentir, e não pensar. É um estilo musical de sensações, onde as misturas e batidas tem o propósito de criar uma experiência, sendo o grande desafio dos Djs de música eletrônica criar experiências novas, e sempre diferentes daquilo que outros, e eles mesmos, já fizeram.


Esse desafio de criar novas experiências vem acompanhado de um desejo de experimentação e inovação contínuo. A habilidade de transformar sons que, aparentemente, nunca seriam imaginados dentro de uma música, como o som do acelerador de um carro ou de uma máquina de lavar roupa, nasce da filosofia presente dentro do meio eletrônico de buscar atingir uma liberdade musical através do uso de tecnologias. E, não se detendo somente aos efeitos sonoros, a música eletrônica também se propõe a experimentar dentro do campo visual, tudo em busca da inovação dentro do campo das sensações. Misturar, sintetizar, mixar e remixar são termos e ações do dia-a-dia de um DJ, que vê toda tecnologia como uma tecnologia em potencial, e todo som presente no ambiente como um pedaço de música em potencial.


A experimentação pode ser a palavra de ordem dentro do meio eletrônico, porém, outro ingrediente vital para a produção de uma música eletrônica é a diversão. É necessário possuir um desprendimento infantil dos conceitos e costumes para ficar aberto à novas combinações e novas maneiras de ouvir um mesmo som. Como uma criança numa caixa de areia, que molda a areia de várias formas diferentes, o DJ usa a tecnologia para moldar uma música. E, essa diversão se completa com a preocupação com o momento instantâneo da reprodução da música. Essa preocupação é fazer com que o momento em que a música for tocada, ela envolva o ouvinte, que não é passivo à essa música, mas que se joga e se imerge dentro dela. E, a partir daí se transforma em uma experiência.

E, para não ficar só na teoria, deixo aqui um exemplo de combinação em experimentação, diversão e inovação que só uma música eletrônica têm!



Por: Carolina Câmara

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sons, mashups e música eletrônica


Os grandes avanços tecnológicos no âmbito musical proporcionaram a criação e experimentação de uma diversidade de novos sons. Se antigamente, com os primeiros aparatos sonoros como, por exemplo, o Fonógrafo e o Gramofone, as sonoridades estavam restritas a serem apenas gravadas e reproduzidas, atualmente, com aparelhos como os sintetizadores, o som pode facilmente ser manipulado, de forma que não é mais prioridade que o som seja inteiramente fiel ao original.



Com esses novos modos de criação de música, os “mashups¹”, colagens, remixes, etc, surgiram novos estilos musicais a partir de uma espécie de matriz.



Ainda hoje, há um preconceito com a música eletrônica pelo fato dela não usar, necessariamente, instrumentos acústicos ou seguir a estrutura da música massiva tradicional (introdução - estrofe - ponte - solo), mas que está bastante popularizada ao redor do mundo.



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Exemplo de mashup:

http://www.youtube.com/watch?v=Wl85yq_k0V0



¹-Mashup Music é a mistura de duas ou mais músicas dentro da uma mesma música.

Grupo: Felippe Alvaro, Leticia Xavier e Milton Batista